PSICANÁLISE E ESOTERISMO

OS QUE CONSEGUEM E OS QUE SOBRAM
Por LILIA PANDOLFI
No texto de 4 de julho na Revista de Domingo do Globo, Martha Medeiros
enfocou magistralmente um tema que aponta para um dos grandes empecilhos
do desenvolvimento de muitas vidas: a existência de pessoas que
se mantêm perdidas em seu caminho – os que empatam e os
que buscam um foco. Comparando com o futebol, lembrou do desempenho
de Pelé, que sabia como pegar uma bola e levar direto à
rede. Fala da alma de artilheiro, que chega ao campo perguntando logo
onde é o gol.
Observa como uma grande parte vive a vida chutando para todos os lados,
contando com a sorte para empurrá-las. Como desperdiçam
energia!
Copiando na íntegra um parágrafo:
“Quase invejo quem tem tempo a perder: sinal de que é alguém
irritantemente jovem, que ainda não se deu conta da ligeireza
da vida. Já os veteranos não podem se dar ao luxo de acordar
tarde, e, no caso, “ acordar tarde” não significa
dormir até o meio-dia: significa dormir no ponto, comer mosca.
Não dá. Depois de uma certa idade, é preciso ser
mais atento e produtivo. “
Penso naquelas pessoas que vivem sofrendo um problema e nada fazem
para mudar. Sinto por todos que adiam suas soluções, achando
que vão dar conta. E o tempo passa. Os anos passam. A vida passa.
Os que buscam e se mantêm no foco – os que realizam –
e os que se perdem e atrapalham. Mas ainda existe um outro tipo: os
que se deixam atrapalhar. Os que são coniventes e culpam o atrapalhador
pelo seu insucesso.
Convivemos algumas ou muitas vezes com quem vive enrolando suas decisões.
Podemos, se consultados, até ajudá-los a perceber o quanto
estão sem rumo. Eles recebem o toque. Alguns se esforçam
para mudar, aprender a ver. Mas os que ficam se justificando por que
não conseguiram, vão ficando para trás, vão
sendo deixados pelos mais objetivos. Queixam-se de estar sozinhos, de
só contarem com pessoas complicadas, mas não conseguem
ver que só lhes sobraram os semelhantes.
Quem tem foco, quem sabe o que quer, quem buscou para saber o que quer,
não se deixa envolver no pântano dos indecisos, dos que
não querem resolver seus problemas. Egoísmo? Ou será
dar um apoio, sinalizar para que os atrapalhados tenham consciência
de seus defeitos? Ficar ao lado seria o mesmo que exercer a co-dependência,
atitude de quem passa a mão na cabeça de um dependente
químico. Seria endossar a apatia.
Seja qual for a idade por que se está passando, sempre é
o momento de dar uma pequena parada e observar honestamente o que está
fazendo com seu roteiro : seu caminho é dar voltas e repetir
em círculos padrões passados? Seu foco está mantido
e sempre ligado? Tem coragem de corrigir os desvios quando necessários
para a finalidade maior a que se propõe?
Postado no Jornal Prana – Universo Holístico –
Agosto / 2010

Lilia Pandolfi
Psicanalista e Escritora Conferencista Professora de Comunicação
http://www.psicanaliseeesoterismo.blogspot.com/
Muita Paz e Luz.
Um beijo no coração de todos.
José Eduardo Antonio de Mattos
Angela Maria de Aquino Mattos